
Em recente post publicado no dia 27/01 escrevi aqui que nem todos os jornalistas, até mesmo aqueles que trabalham em redação, lêem jornais diariamente. Ler aquilo que o próprio veículo publica é uma tarefa elementar, praticamente uma obrigação diária, que poderia evitar uma série de equívocos e melhorar a qualidade do que se produz. Só que mais um exemplo reforça a tese de que nem sempre o dever de casa é cumprido. No texto a seguir, a falta de informação – que poderia ser facilmente obtida no próprio jornal – levou o jornalista a ficar refém da fonte. O trecho abaixo foi publicado com destaque na coluna Praça Oito, do jornal A Gazeta, neste sábado, dia 1º de março. Trata-se do olho da coluna:
O governador Paulo Hartung (PMDB) vai seguir o exemplo do colega tucano José Serra (SP): prefere esperar sua equipe analisar minuciosamente o texto da reforma tributária para só depois se manifestar
Praça Oito publicou exatamente aquilo que Hartung queria que fosse publicado. A coluna foi usada. Isso porque, apenas dois dias antes (em 28/02), a editoria de política do mesmo jornal A Gazeta havia publicado a seguinte matéria:
Hartung alerta para prejuízos da reforma tributária
O governador Paulo Hartung (PMDB) demonstrou ontem preocupação com a proposta de reforma tributária apresentada pelo governo federal. A proposta será encaminhada ao Congresso Nacional.“Os desenhos iniciais que se apresentam são extremamente prejudiciais para as finanças públicas do nosso Estado”, afirmou Hartung, durante o Seminário de Planejamento Estratégico do governo para 2008. [...]
Em Praça Oito, Hartung aparece como um governador habilidoso, que prefere a cautela, a análise minunciosa e técnica de todos os detalhes antes de se pronunciar sobre a proposta de reforma. O governador do Espírito Santo é retratado como alguém que se identifica com José Serra. Sua postura está alinhada a do governador da maior potência econômica do Brasil, ou seja, na coluna, Hartung se identifica com a posição dos grandes centros de tomada de decisão no país. O leitor que comprou o jornal somente no sábado comprou, por tabela, essa idéia.
Só que, como vimos, a história não é bem essa. O ponto principal aqui é o seguinte: quando o jornalista está mal informado é menos crítico e corre mais risco de ser usado pelas fontes informação, principalmente as oficiais.




Como comparar a cobertura do caso “governo Paulo Hartung quer retomar concessão da Rodosol” com a cobertura da iniciativa do governo da bolívia de retomar a produção de hidrocarbonetos?