As fontes sempre fizeram parte da atividade jornalística. Como o próprio jargão indica, as fontes são a origem das notícias; são pessoas ou instituições das quais surgem as pautas, de onde se busca as informações que podem virar notícia. Elas podem fornecer uma história, uma opinião, uma informação bruta ou até mesmo explicações sobre determinado fenômeno.
As fontes são indispensáveis ao jornalismo por vários motivos. Entre essas razões pode-se apontar para o óbvio: não há jornalistas em todos os lugares onde acontecem fatos de interesse público. Além disso, a rigor, o jornalista não sabe nada, mas é aquele profissional que procura quem sabe: a fonte certa, mais apropriada.
A relação dos jornalistas com as fontes já foi motivo de inúmeros estudos. Todos eles fazem o mesmo alerta: há uma dupla dependência. O jornalista depende da fonte, já que precisa da informação; e a fonte precisa do jornalista, uma vez que sempre tem algum interesse na divulgação da informação. Justamente por isso, a postura do jornalista deve ser SEMPRE de desconfiança.
Eis a capa do jornal A Gazeta de hoje, quarta-feira, dia 16 de abril:
Não são poucos os episódios de precipitação da imprensa nesse tipo de cobertura. O caso mais famoso aconteceu em 1994. A polícia paulista também não tinha dúvidas quando afirmou que as crianças da Escola Base, em São Paulo, eram vítimas de abuso sexual. Na época, a informação foi sustentada e divulgada pelo próprio delegado que conduzia as investigações. Como se sabe, mais tarde descobriu-se que tudo não havia passado de um grande erro: da polícia e da mídia que embarcou com satisfação na quentíssima história. Tarde demais. A vida dos responsáveis pela escola já havia sido destruída e nunca mais foi a mesma.
E se no caso da menina Isabella a polícia também estiver errada? Com uma capa dessas, o jornal não passa a ser, pelo menos, co-responsável pelo erro? Quais devem ser os cuidados e os limites nesse tipo de cobertura?





[...] que frequentemente compram com muita facilidade a versão da polícia foi o motivo do último post deste blog. O caso Isabella ainda não foi julgado; nem mesmo houve a divulgação oficial das [...]
Isso realmente é preocupante… Afinal, esse caso não foi julgado ainda. Realmente houve uma enorme preciptação por parte da A GAZETA e dos demais veículos da GLOBO. Mas acredito que o responsável pela liberação dessa matéria deve saber o que está fazendo. Tudo pelo IBOPE!
Bom… o barro foi jogado. Se colar, ponto para o jornalista. Se não, é fácil justificar que o “mundo todo” acreditava nisso…. Mas até lá, todos já se esqueceram…. Lamentável!
[...] não é só isso. Já levantei aqui uma outra questão de extrema relevância: em matérias policiais, quase sempre a imprensa é [...]