Mais caso Isabella. O episódio está se tornando exemplar e provavelmente será objeto de dezenas de dissertações de mestrado e teses de doutorado. A maior parte da imprensa insiste em não assumir as suas reponsabilidades. Quando erra, inisiste em apontar para o lado. Nesta terça-feira, 22/04, a editoria de Brasil, do jornal A Gazeta, publicou a seguinte reportagem:
Caso Isabella: casal pode ter ensaiado antes de entrevista
Os psiquiatras forenses Isa Kabacznik e Marcos Pacheco de Toledo Ferraz assistiram ontem várias vezes à entrevista dada por Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá ao programa Fantástico no domingo. Os especialistas apontaram que o casal tentou ressaltar na entrevista a união da família e apresentou um discurso que parecia ser ensaiado.“A situação que eles viveram de permanente assédio e de permanente fuga com a imprensa, com as acusações e tudo o mais, dá a eles a necessidade de quase que unificar as respostas”, disse Ferraz.
“Me levou a sensação que era uma história um pouco ensaiada porque o tempo todo eles faziam questão de falar da união familiar, em nenhum momento se via um gesto de carinho. Eles não se tocam, eles não se olham, eles não se compartilham naquela emoção”, disse Isa. [...]
Na mesma edição do jornal, a coluna Victor Hugo publicou como olho (o texto de maior destaque da coluna) o seguinte texto:
Vem cá: se a Polícia e os laudos estiverem mesmo certos, a entrevista dada pelo casal Nardoni será um caso de falsidade histórico na TV brasileira. E se eles forem inocentes, este será o maior erro da história da polícia. [grifos meus]
Seria cômico, se não fosse trágico. A incapacidade dos jornalistas de avaliar minimamente a própria atividade, seu próprio fazer, beira ao absurdo. A TV, por exemplo, tem seguido o casal Nardoni aonde quer que ele vá. Informam o paradeiro dos suspeitos, como se fosse a informação mais importante do mundo, e como se não houvesse mais nada para se noticiar. Em seguida, a aglomeração de populares em volta da delegacia ou em outros locais indicados pela própria imprensa é que vira notícia. E os repórteres se mostram impressionados e surpresos com a quantidade de pessoas nesses endereços. Difícil não suspeitar de cinismo.
Ora, se o casal Nardoni for inocente, – hipótese levantada pela coluna Victor Hugo - este será também um dos maiores erros da imprensa!! A nota afirma que a responsabilidade é apenas da polícia, como se a imprensa não respondesse por aquilo que publica. A lógica é a seguinte: se a polícia falou, qualquer coisa a culpa é dela, e só dela. Será mesmo? Claro que não.
E a nota de Victor Hugo foi publicada no mesmo em dia em que o próprio jornal A Gazeta publicou uma reportagem que levanta a suspeita de que o discurso do casal foi ensaiado, ou seja, não foi verdadeiro, mas faz parte de uma estratégia. Isso não foi a polícia que falou. Foi a imprensa que fez questão de procurar ‘especialistas’ (leia-se oportunistas de plantão) para julgar os suspeitos. Numa espécie de tribunal paralelo. Tudo muito lamentável. Repito, porque parece que muita gente esquece: imprensa não é tribunal, e ao invés de apontar para o lado, os jornalistas deveriam assumir as suas responsabilidades. Um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.





[...] dessa situação. Serve, entre outras coisas, para facilitar o trabalho e também para fugir das responsabilidades daquilo que se publica. Qualquer problema a culpa é da polícia, foi ela quem falou! Ou, nas [...]