
Confesso que não sabia, mas em uma obra que serve de referência para todos aqueles que estudam o jornalismo no Brasil, Adelmo Genro Filho propõe um olhar para a actividade que se aproxima bastante da proposta deste blog.
No entanto, o jornalismo, que é o filho mais legítimo desse casamento entre o novo tecido universal das relações sociais produzido pelo advento do capitalismo e os meios industriais de difundir informações, isto é, o produto mais típico deste consórcio histórico, não é reconhecido em sua relativa autonomia e indiscutível grandeza. De um lado, ele é visto apenas como instrumento particular de dominação burguesa, como linguagem do engodo, da manipulação e da consciência alienada. Ou simplesmente como correia de transmissão dos ‘aparelhos ideológicos de Estado’, como mediação servil e anódina do poder de uma classe, sem qualquer potencial para uma autêntica apropriação simbólica da realidade. De outro lado, estão as visões meramente descritivas ou mesmo apologéticas – tipicamente funcionalistas – em geral suavemente coloridas com as tintas do liberalismo: a atividade jornalística como ‘crítica responsável’ baseada na simples divulgação objetiva dos fatos, uma ‘função social’ voltada para ‘o aperfeiçoamento das instituições democráticas’. Na linguagem mais direta do mestre (Durkheim), uma atividade voltada para a denúncia e correção das ‘patologias sociais’, portanto, para a coesão e a reprodução do estado ‘normal’ da sociedade, ou seja, o capitalismo. (GENRO FILHO, 1989, p.37)
O trecho acima pertence ao livro O segredo da Pirâmide - Para uma teoria marxista do jornalismo. O trabalho apresenta o jornalismo como forma específica de conhecimento historicamente condicionada pelo desenvolvimento do capitalismo, mas dotada de potencialidades que ultrapassam a mera funcionalidade a esse modo de produção. Neste cenário Genro Filho estrutura uma teoria própria para dar conta de entender essas especificidades. No seu desenvolvimento, a teoria apresenta algumas questões que discordamos, mas nossas premissas são as mesmas: a crítica ao jornalismo não deve se limitar as duas perspectivas tão bem expostas e criticadas por ele.




Eu li este livro na época em que estava escrevendo meu trabalho de conclusão de curso que teve como título Jornalismo: um ensaio crítico. É uma ótima leitura.
Abraços,
Flávio
Esse livro é legal mesmo. Esse trecho também.
Mas, mudando de assunto, o que você achou da cobertura dos jornais a respeito da greve dos rodoviários, Rafael? Vale um post não?
No mais, parabéns pelo blog.
Pelo pouco que acompanhei, creio que valeria mesmo um post Jacson, mas perdi o time. O problema é que ando bastante ocupado e o blog está ficando em segundo plano. Obrigado pelo elogio. São sempre um incentivo a mais para continuar escrevendo.
abraço
Este livro do Adelmo, e mais alguns outros, podem ser lidos na íntegra (segundo o site) em:
http://www.adelmo.com.br/index3.htm
Fala Fernando!
Teu comentário ficou perdido um tempão… é que o wordpress o identificou como spam, sabe-se lá porque.
Mas muito bem lembrado. O site diz e é verdade: tem muita coisa lá diponível na íntegra. Inclusive esse clássico da Teoria do Jornalismo.
Abraço e obrigado pela contribuição!