Os teóricos que defendem a objetividade no jornalismo não negam a subjetividade daquele que escreve. Pelo menos os pesquisadores sérios concordam que os jornalistas não podem se despir de todos os seus preconceitos, pressuposições, concepções de mundo, ideologia, posição política ou de toda bagagem pessoal na hora de apurar e escrever uma matéria. Mas então que raios de objetividade seria essa? É o método que deve ser objetivo, não o jornalista. Um dos procedimentos que respondem a essa necessidade – de um método objetivo – é o de ouvir o outro lado.
É afirmar o óbvio; é chover no molhado, concordo. Mas aponto aqui, mais uma vez, que valores bem caros ao jornalismo como a honestidade, a isenção, a imparcialidade e a objetividade já citada acima, não vivem sem essa regra de conduta: é preciso ouvir o outro lado, dar voz ao contraditório. É obrigação de toda e qualquer matéria – da nota mais curta, a reportagem mais completa – mostrar com equidade os vários lados de uma mesma questão. Caso contrário é melhor nem publicar o texto, nem mesmo levar o material ao ar. Só que, na prática, nem sempre é assim.
Nesta quarta-feira, dia 10 de setembro o ESTV 2ª edição exibiu a seguinte reportagem: Assembléia legislativa aprovou lei que proíbe a abertura de comércios aos domingos e feriados
Eu também não gostei da proibição. Como consumidor acho muito cômodo poder ir ao supermercado aos domingos, ou nos feriados, mas não é isso que está se discutindo aqui. O problema é que a reportagem ouviu quatros pessoas: dois comerciantes e dois clientes. Cada um com o seus motivos, todos manifestaram-se contrários a proibição. É claro que ficou faltando ouvir os argumentos do autor do projeto de lei, e de um representate dos comerciários – os principais interessados e motivadores da lei recém aprovada.
Como a categoria recebeu a aprovação do projeto? Se depender da TV Gazeta, vamos continuar sem saber. O outro lado, passou completamente em branco. A reportagem está incompleta, parcial e foi desonesta com o assunto. Pior para quem depende da TV como fonte de informação para entender o que se passa no Estado.




