Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘online’ Category

Nas colunas opiniativas, muitos são os artigos que criticam a antecipação do debate sobre as eleições de 2010, tanto na esfera estadual quanto federal. Concordo que há muitas outras coisas importantes para serem discutidas pelo campo político, há muito trabalho a fazer. A premissa é verdadeira: não seria correto ficar mais de um ano planejando e realizando ações que têm só o objetivo de eleger o sucessor.

Só que em muitos casos, esses mesmos artigos de opinião – que atribuem toda a culpa pela antecipação do debate eleitoral aos políticos – são publicados ao lado de matérias que insistem em pautar o equivocado debate. Na verdade, o próprio jornalismo agenda publicamente uma discussão que está sendo colocada fora de hora.

É o caso a seguir:

PT abre mão de Coser para beneficiar Dilma Roussef

Será que não havia mais nada para se perguntar ao presidente nacional do partido que visitava a cidade? Será que os jornalistas não tem capacidade e conhecimento para pautar nenhum outro assunto? Será que  o jornalismo desistiu de sua atonomia na construção da agenda pública?

Anúncios

Read Full Post »

Perguntar não ofende

Está no Gazetaonline (e também em outros veículos) de hoje:

Hartung reaparece e diz que atitude da Rodosol é descabida

O caso são as obras de melhorias na Terceira Ponte. A Rodosol diz que não vai arcar com os custos porque elas não estão previstas no contrato de concessão, logo ela não é obrigada a fazer. No segundo parágrafo, a reportagem traz a seguinte fala do governador:

É uma coisa que não tem cabimento. Mesmo estando escrito no contrato, tenho certeza que a Justiça brasileira quebra um termo desses, pois não se sustenta nas boas práticas de concessões”, declarou.

Detalhe: não há nenhuma fala da Rodosol.

Então Hartung está na acionando a concessionária na Justiça, porque não quer cumprir o que está previsto no contrato e é dessa forma (com amplo destaque a fala do governador) que o fato é noticiado.

A pergunta que quero fazer é bem simples : e se o governador não fosse Hartung, e sim alguém de esquerda, que também estivesse acionando a Justiça para questionar um termo de um contrato de concessão, e obrigar o setor privado a pagar uma obra pública, será que o fato teria o mesmo tratamento?

Read Full Post »

Está lá página 11, do jornal A Gazeta, desta sexta-feira, em anúncio publicitário de página inteira. O novo portal Gazeta On Line, que está no ar desde ontem, quer priorizar a participação do usuário. Aliás, a intenção de seguir os princípios da Web 2.0 é tão marcante no discurso sobre a nova organização do portal, que está bem claro até no slogan: “gazetaonline somos todos nós.”

Por isso, não poderia faltar um canal de jornalismo colaborativo, também chamado de jornalismo do cidadão. Então, o portal criou o Cidadão Repórter  em que os internautas podem enviar textos, fotos e vídeos. Também existe um espaço para comunidades e fóruns.

Mas não bastam apenas vontade, ou campanhas publicitárias para trabalhar de maneira satisfatória a interação com os usuários. O ponto chave aí é criar esses mecanismos, esses espaços visando a estimular o leitor para que ele saia do estado de coadjuvante no processo comunicacional. Se tudo der certo, essas mudanças inauguram um novo ambiente, em que a audiência se transforma em usuários. Aqui, o leitor tem a oportunidade de estabelecer, por si próprio, as ligações, desbravar os caminhos como bem entender. As mensagens devem estar ligadas a outras mensagens, comentários, notas explicativas, interpretações, wikis, fóruns, blogues que comentam e resignificam as mensagens e redes sociais onde se debate determinado tema.

Isto significa que, o papel tradicional do emissor, a postura de quem escreve também deve se transformar. Nesta nova forma de organizar as mensagens, o receptor ganha sim um papel mais ativo, mas também quem escreve e conhece bem a essa nova possibilidade de organização discursiva deve procurar abrir, ao invés de fechar trilhas.

Tomara que a equipe da rede Gazeta consiga entender e trabalhar bem com essas potencialidades.

Por enquanto, a partir de uma primeira e rápida olhada, faço algumas observações quanto as ferramentas disponíveis no novo portal: a) os fóruns só podem ser criados pela equipe do portal. A participação do usuário se resume a responder as questões que são levantadas por eles e não é possível propor uma pergunta.

b) Os blogs são apenas sete. Seis são mantidos por jornalistas da própria rede e o sétimo é de um consultor em tecnologia que é colunista de A Gazeta e também tem um quadro fixo, semanal, na TV Gazeta. Ou seja, todos já são funcionários do grupo. A dúvida que fica é se esses espaços não ficarão restritos a publicar as sobras do jornal impresso. O que não couber no jornal impresso, desova-se no blog. Isso seria subutilizar uma ferramenta muito rica. Para usar o mesmo estilo de metáfora que usei em sala de aula, seria mais ou menos como comprar uma Honda Biz para usar no trânsito de São Paulo, mas nunca andar no corredor formado entre os carros. Outro ponto importante: os blogs que já estão no ar NÃO têm espaço para se comentar os posts. ISSO MESMO!! São chamados de blogs, mas ninguém consegue deixar comentários.

**Atualização: deve ter sido alguma dificuldade técnica… Neste domingo (06/07), os blogs disponibilizaram espaços para os comentários.

Read Full Post »

O amigo, jornalista e leitor deste blog, Flávio Gonçalves, deixa mais uma sugestão. Ele faz uma comparação que, a princípio, pode parecer descabida. Vamos ao caso: reportagem 1 – nesse domingo, o Gazeta On Line publicou a seguinte reportagem:

Policial Rodoviário Federal é detido por desacato à autoridade durante blitz do “Madrugada Viva” em Vitória

Uma abordagem de rotina feita por policiais militares durante o “Madrugada Viva”, realizado na Praia de Camburi, em Vitória, terminou em confusão. A esposa de um policial rodoviário federal foi parada pelos militares e se negou a realizar o teste do bafômetro a pedido do marido. Os PMs e o agente da PRF acabaram se desentendendo e houve tumulto no meio da rua.

A confusão aconteceu por volta das 2h30 na Avenida Dante Michelini. A enfermeira N.C.A.M., de 29 anos, voltava de um casamento com o marido, o agente rodoviário A.F.L., de 31 anos, quando foi parada pela blitz do Madrugada Viva.

Segundo o Boletim de Ocorrência da PM, a enfermeira apresentava sinais visíveis de embriaguez, como olhos vermelhos. A polícia pediu que ela descesse do carro e fizesse o teste do bafômetro, mas o agente e marido dela a impediu. […]

Já nesta segunda-feira o mesmo portal de notícias publicou a seguinte matéria, também da editoria de Polícia:

Amigos de universitário morto ajudarão no retrato falado do comparsa de Danielzinho

Daniel da Silva, o Danielzinho

Os dois amigos que estavam com o universitário Wilson Augusto Costa Salles, 19 anos, assassinado na madrugada de sábado após um seqüestro-relâmpago no bairro Santa Luzia, em Vitória, irão depor no início da tarde desta segunda-feira na Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP), que passa a investigar o crime. Eles irão tentar identificar o comparsa do assaltante Daniel da Silva, o Danielzinho, 18 anos, acusado de disparar o tiro que matou o estudante.

Segundo o delegado Danilo Bahiense, se o outro suspeito não tiver ficha na divisão, os amigos de Wilson poderão ajudar na confecção do retrato-falado do outro acusado. O chefe da Patrimonial informou ainda que Danielzinho praticou há alguns meses um assalto com reféns no Morro da Cesan, em Santa Lúcia, Vitória, onde cristãos costumam fazer retiro espiritual. Em certa oportunidade, ele e os comparsas levaram as vítimas para o Morro da Gurigica, que fica na região. […]

A pergunta do Flávio é a seguinte: “são situações diferentes. Mas mesmo assim: uma hora usa inicial, na outra, estampa-se a foto. Afinal, qual é o padrão?”

Situações mesmo muito diferentes. A primeira reportagem dá conta de uma confusão causada por abuso de autoridade e mostra como tem gente que ainda tem certeza que, apesar de todos serem iguais perante à lei, uns são mais iguais que outros. A segunda matéria fala de um assassinato covarde durante um seqüestro-relâmpago. O rapaz atirou, pelas costas, quando sentiu que a vítima esboçava uma reação.

Reparem que mesmo tendo sido identificado pelo colega do estudante assassinado, no corpo do texto, Daniel da Silva, aparece como acusado de ter disparado o tiro que matou o rapaz. Por outro lado, a reportagem atribuiu a atividade de assaltante como profissão de Daniel. E a foto do acusado foi amplamente divulgada, talvez para que a população ajude a polícia a encontrá-lo.

Já no texto da matéria do policial rodoviário e esposa, suspeitos de dirigirem embriagados e arrumarem confusão com a polícia militar – que cumpria o seu papel fiscalizador – aparecem apenas as iniciais dos envolvidos.

Existe a possibilidade de a própria polícia militar ter omitido o nome, e divulgado para a imprensa, apenas as iniciais dos acusados. Também temos que levar em consideração que, muito provavelmente não havia nenhum repórter fotográfico, de plantão, às 2h30, cobrindo o Madrugada Viva para fazer a foto e colocar no jornal. O casal foi logo liberado, e, por isso, também não dava para ir à delegacia fazer o retrato do PRF e mulher. A foto de Daniel, que foi divulgada, faz parte do arquivo da Polícia.

Mas mesmo assim há de se concordar que falta um padrão claro no Gazeta On Line. É bem verdade que os padrões podem e devem ser sempre discutidos e questionados. Há muitos argumentos contra ou a favor da ampla divulgação da imagem de suspeitos. Mas, mesmo assim, há de haver um padrão, para não parecer que o critério é simplesmente econômico. Algo como: “Quando é negro e pobre, a gente divulga a vontade, põe para quebrar; só que quando for classe média, a gente redobra os cuidados, já que ninguém têm certeza de nada, não dá para sair acusando, a polícia já liberou…”

Quem foi pego em flagrante tem o direito a ter a identidade preservada? Todos, ou só os de classe média?

Read Full Post »