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Radiojornal (off topic)

Mais um semestre se vai e mais um radiojornal é produzido pelos alunos da disciplina de Laboratório de Radiojornalismo ministrada por mim na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). No podcast da turma há também várias reportagens. Divirtam-se:

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Perguntar não ofende

O que a divulgação da agenda dos candidatos a prefeito acrescenta ao debate público?

O outro lado III

Os teóricos que defendem a objetividade no jornalismo não negam a subjetividade daquele que escreve. Pelo menos os pesquisadores sérios concordam que os jornalistas não podem se despir de todos os seus preconceitos, pressuposições, concepções de mundo, ideologia, posição política ou de toda bagagem pessoal na hora de apurar e escrever uma matéria. Mas então que raios de objetividade seria essa? É o método que deve ser objetivo, não o jornalista. Um dos procedimentos que respondem a essa necessidade – de um método objetivo – é o de ouvir o outro lado.

É afirmar o óbvio; é chover no molhado, concordo. Mas aponto aqui, mais uma vez, que valores bem caros ao jornalismo como a honestidade, a isenção, a imparcialidade e a objetividade já citada acima, não vivem sem essa regra de conduta: é preciso ouvir o outro lado, dar voz ao contraditório. É obrigação de toda e qualquer matéria – da nota mais curta, a reportagem mais completa – mostrar com equidade os vários lados de uma mesma questão. Caso contrário é melhor nem publicar o texto, nem mesmo levar o material ao ar. Só que, na prática, nem sempre é assim.

Nesta quarta-feira, dia 10 de setembro o ESTV 2ª edição exibiu a seguinte reportagemAssembléia legislativa aprovou lei que proíbe a abertura de comércios aos domingos e feriados

Eu também não gostei da proibição. Como consumidor acho muito cômodo poder ir ao supermercado aos domingos, ou nos feriados, mas não é isso que está se discutindo aqui. O problema é que a reportagem ouviu quatros pessoas: dois comerciantes e dois clientes. Cada um com o seus motivos, todos manifestaram-se contrários a proibição. É claro que ficou faltando ouvir os argumentos do autor do projeto de lei, e de um representate dos comerciários – os principais interessados e motivadores da lei recém aprovada.

Como a categoria recebeu a aprovação do projeto? Se depender da TV Gazeta, vamos continuar sem saber. O outro lado, passou completamente em branco. A reportagem está incompleta, parcial e foi desonesta com o assunto. Pior para quem depende da TV como fonte de informação para entender o que se passa no Estado.

Perguntar não ofende

Até antes de ontem o governo do Estado jurava que o sistema aquaviário era economicamente inviável e por isso descartava as lanchas como alternativa de transporte na Grande Vitória. Por que será que mudaram de idéia? Por que nenhum repórter perguntou isso?

foto: gazetaonline

Já disse aqui neste blog, em um post de dezembro do ano passado, que não é preciso ser muito rigoroso com relação à prática jornalística para só noticiar o que já tem confirmação. Mesmo nas manchetes, é fundamental ser claro, e, principalmente, ser preciso na informação.

Na última sexta-feira, o jornal A Gazeta publicou uma reportagem com a seguinte manchete:

Preço do pão e do macarrão cairá até 5% em agosto (sem link, já que o novo gazetaonline dificultou bastante a busca pelas edições anteriores)

Será? A notícia é a isenção do ICMS para esses produtos. Ninguém pode afirmar que a queda no imposto será repassada ao consumidor. Eu tenho minhas dúvidas e o jornalista não precisa arriscar. Seria só colocar uma palavrinha, antes de cairá: pode ou deve, por exemplo.

Aí vai o endereço do podcast da turma de Laboratório de Radiojornalismo que foi orientada por mim. Além de um radiojornal (produzido em tempo real), há uma série de reportagens interessantes.

 

Está lá página 11, do jornal A Gazeta, desta sexta-feira, em anúncio publicitário de página inteira. O novo portal Gazeta On Line, que está no ar desde ontem, quer priorizar a participação do usuário. Aliás, a intenção de seguir os princípios da Web 2.0 é tão marcante no discurso sobre a nova organização do portal, que está bem claro até no slogan: “gazetaonline somos todos nós.”

Por isso, não poderia faltar um canal de jornalismo colaborativo, também chamado de jornalismo do cidadão. Então, o portal criou o Cidadão Repórter  em que os internautas podem enviar textos, fotos e vídeos. Também existe um espaço para comunidades e fóruns.

Mas não bastam apenas vontade, ou campanhas publicitárias para trabalhar de maneira satisfatória a interação com os usuários. O ponto chave aí é criar esses mecanismos, esses espaços visando a estimular o leitor para que ele saia do estado de coadjuvante no processo comunicacional. Se tudo der certo, essas mudanças inauguram um novo ambiente, em que a audiência se transforma em usuários. Aqui, o leitor tem a oportunidade de estabelecer, por si próprio, as ligações, desbravar os caminhos como bem entender. As mensagens devem estar ligadas a outras mensagens, comentários, notas explicativas, interpretações, wikis, fóruns, blogues que comentam e resignificam as mensagens e redes sociais onde se debate determinado tema.

Isto significa que, o papel tradicional do emissor, a postura de quem escreve também deve se transformar. Nesta nova forma de organizar as mensagens, o receptor ganha sim um papel mais ativo, mas também quem escreve e conhece bem a essa nova possibilidade de organização discursiva deve procurar abrir, ao invés de fechar trilhas.

Tomara que a equipe da rede Gazeta consiga entender e trabalhar bem com essas potencialidades.

Por enquanto, a partir de uma primeira e rápida olhada, faço algumas observações quanto as ferramentas disponíveis no novo portal: a) os fóruns só podem ser criados pela equipe do portal. A participação do usuário se resume a responder as questões que são levantadas por eles e não é possível propor uma pergunta.

b) Os blogs são apenas sete. Seis são mantidos por jornalistas da própria rede e o sétimo é de um consultor em tecnologia que é colunista de A Gazeta e também tem um quadro fixo, semanal, na TV Gazeta. Ou seja, todos já são funcionários do grupo. A dúvida que fica é se esses espaços não ficarão restritos a publicar as sobras do jornal impresso. O que não couber no jornal impresso, desova-se no blog. Isso seria subutilizar uma ferramenta muito rica. Para usar o mesmo estilo de metáfora que usei em sala de aula, seria mais ou menos como comprar uma Honda Biz para usar no trânsito de São Paulo, mas nunca andar no corredor formado entre os carros. Outro ponto importante: os blogs que já estão no ar NÃO têm espaço para se comentar os posts. ISSO MESMO!! São chamados de blogs, mas ninguém consegue deixar comentários.

**Atualização: deve ter sido alguma dificuldade técnica… Neste domingo (06/07), os blogs disponibilizaram espaços para os comentários.